Cada partido é como o seu congresso

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Decorre até ao final deste fim-de-semana, em Almada, o XX Congresso do PCP, reunião magna que, no entanto e sem que desse conta a comunicação social já começou há meses.

Ao contrário da maioria dos outros partidos, em que os Congressos são eleições ou coroações, os congressos do PCP representam o culminar de um vastíssimo processo de discussão. Ao todo, de acordo com Jerónimo de Sousa, terão sido mais de 2000 reuniões em que participaram cerca de 20 000 militantes. Para fazer um congresso que comportasse a amplitude destes números, qualquer outro partido precisaria não de três, mas de 500 dias.

O choque da pobreza cubana

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A morte de Fidel foi mais um pretexto para a o avanço da ideologia dominante na propagação da ideia de que ou há este caminho ou não há caminho nenhum. Da social-democracia mais à esquerda ou mais à direita, poucos são os que têm coragem de assumir que as conquistas cubanas são tão profundas e importantes que não podemos compará-las com as democracias haitianas, porto-riquenhas ou dominicanas. É que, por incrível que possa parecer, é com esses países que Cuba deveria ser comparada. Porque foram países brutalmente colonizados, explorados nos seus recursos e nos seus povos. Porque era lá que os homens de família que deslocavam em negócios de saias, enquanto enchiam a boca com o moralismo e a santa madre igreja. No entanto, o progresso cubano foi tão expressivo que o comparamos com os países desenvolvidos, ou exploradores, como preferirem. E, por incrível que possa parecer, Cuba supera esses países em categorias tão importantes como a saúde infantil, materna, educação, tratamento do HIV, acesso à habitação. Mas o que importa isso?

"White Helmets"

domingo, 27 de novembro de 2016

Um manequim logo no início da gravação, deitado no chão, à direita (quase passando por um ser humano vitimado pela guerra). Vários manequins empilhados na traseira de uma carrinha de caixa aberta, na parte final da gravação. É esta, a credibilidade dos "White Helmets".

Fidel e eu
[texto originalmente publicado a 22.03.2016]

sábado, 26 de novembro de 2016

A visita oficial do presidente dos Estados Unidos da América a Cuba é um momento particularmente sensível no debate político e ideológico no plano nacional e internacional. Contra os comunistas portugueses, por exemplo, são arremessadas as velhas e gastas acusações de sempre, todas elas enganosas e aldrabadas, todas elas desmascaradas pela realidade.

Este post não tem como objectivo rebater nenhuma das fantasias alucinadas dos e das aprendizes de Márcia Rodrigues que ao longe vêem uma realidade desfocada pela desinformação ou por reaccionária miopia. Que fiquem com a opção aplicável, ou com as duas, que bens desta natureza têm valor de mercado neste decrépito capitalismo de início de milénio. O propósito é outro e declaro-o sem rodeios: lembrar Fidel e a sua importância na minha vida.

"douradinhos é bom, mas é pouco."

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Há pouco mais de um ano, na fila do supermercado, o homem à minha frente, acompanhado da sua filha, passou várias embalagens de arroz como compra. Aliás, tanto quanto me recordo, arroz foi tudo quanto comprou, juntamente com um qualquer enlatado de conserva. Era assim que se alimentava.

Hoje, no supermercado da Bela Vista, em Setúbal, uma mãe com duas filhas só comprou quatro embalagens de congelados. Uma de rissóis, uma de croquetes, duas de pastéis. A conta foi 10 euros e uns cêntimos, dois contos e qualquer coisa. A mulher pagou com uma nota e umas moedas. Estavam contadas.

São os bolseiros que voltam à rua!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Os anos passam e o edificado de glória à precariedade conta cada vez com mais empenas cegas à realidade em que os trabalhadores do Sistema Científico e Tecnológico Nacional se encontram.

De cativação em cativação os cofres enchem e os bolseiros aguentam, sem mais nenhuma razão que a política feita para o tratado orçamental e para a dívida o investimento em ciência é adiado para as calendas. É mais um concurso atrasado que suspende a vida de milhares de candidatos a uma bolsa de investigação para doutoramento e pós-doutoramento, lançando-os na inotropia de quem já está exclusivo para ser elegível e continua a esperar para saber com o que pode contar.

Pelo caminho começam já as costumeiras manobras de secretaria que se apressam a excluir administrativamente candidatos sem qualquer razão com relevância científica. Refugiando-se no escudo da burocracia a FCT actua de forma cobarde apostando na má fé de uma comunidade que vive praticamente desta fonte de financiamento e que sem para-quedas é votado a um ano em branco por razões que na grande maioria lhe são alheias.