Os lugares onde Marcelo não vai

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O dom de Marcelo é ir a todo o lado sem nunca estar em lado nenhum. Omnipresente na comunicação social, falta à chamada sempre que o interesse nacional coincide com os interesses da classe trabalhadora. Onde está Marcelo quando as populações se batem pelos correios do povo? Porque não dá os seus «afectos» às quase 500 trabalhadoras da Gramax? Meio milhar de operárias com meses de salário em atraso defendem a dignidade e os postos de trabalho de um processo fraudulento de insolvência. Quando, em piquetes de 24 horas, à chuva e ao frio, desafiando a fome, a incerteza e muitos dramas familiares, as operárias da antiga Triumph impedem o roubo da maquinaria estão também a impedir a destruição do aparelho produtivo português. Porque será que Marcelo, sempre tão palavroso sobre moda, jogos de futebol, restaurantes e exercício físico, nada tem a dizer sobre esta matéria? Porque será que o Presidente, incansável na sua digressão afectiva, não vai a Sacavém?

O eterno retorno aos Balcãs

sábado, 30 de dezembro de 2017

Quando no ano de 1999 as forças norte-americanas agiram, sob a capa da NATO, nos Balcãs e em particular na República Jugoslava - ou no que dela restava - fechava-se um ciclo de desmembramento do chamado "bloco de Leste" iniciado em meados dos anos 80 e irreversivelmente consumado a partir de 1989 com a chamada "reunificação alemã", a dissolução da União Soviética e a integração, progressiva, de países do extinto Tratado de Varsóvia na triunfante "Aliança Atlântica".

A "guerra humanitária" de Clinton e Blair cumpriu diversos objectivos simultâneos e relacionados, de entre os quais destaco a continuação e consolidação da "balcanização" da ex-Jugoslávia, a criação naquela zona do planeta de territórios neocoloniais (possibilitando a fixação de bases militares, zonas de influência e controlo de rotas fundamentais do comércio de matérias primas e energia), o esvaziamento da influência soviética/russa junto das zonas eslavas do mediterrâneo e, claro está, a institucionalização da NATO já não como suposta "aliança defensiva" de natureza limitada mas antes como super-estrutura de âmbito planetário, com legitimidade de actuação para lá dos mecanismos diplomáticos e de defesa internacionais, incluindo a própria ONU.

Chamem-me quando for para falar de política

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Eu quero partidos próximos dos cidadãos, presentes em todo o território, por isso aceito a isenção de IMI para permitir essa presença.

Eu quero partidos financiados pelos seus próprios militantes e simpatizantes e não pelo Estado, por isso aceito que não haja um limite para os fundos não estatais que um partido pode receber.

Eu quero partidos que realizem tantas iniciativas políticas quantas puderem, festas, comícios, debates, concentrações, concertos, para divulgarem as suas posições e os seus princípios e programas e eu saber no que voto e por isso aceito que estejam isentos de IVA nessas actividades.

O postal dos correios enviado pelo PS

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A fórmula é sempre a mesma: quando os números das receitas geradas não correspondem às ambições de patrões ou accionistas, a solução passa inevitavelmente por mandar uns quantos trabalhadores para a rua. Às vezes despedem-se dezenas, outras centenas, como é o caso concreto de que aqui se trata, e para os que ficam a certeza de cortes, congelamento de progressões e de salários. Deve haver algum problema com a formação sempre muito bem paga dos CEO’s ou gestores deste país, ou de outro qualquer, sempre saídos de eminentíssimas academias nacionais e internacionais, porque por mais habilitações, graduações ou anos de experiência acumulada que apresentem a sua fórmula "mágica" é sempre a mesma: há problema? Então despede-se!

Alteração aos recibos verdes - o abraço do urso

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

É com pompa e circunstância que alguns que se declaram «inflexíveis» e, claro, o sempre presente na ribalta dos equívocos, José Soeiro do Bloco de Esquerda falam em avanço civilizacional e outros quejandos. Já estamos demasiado habituados a que alguns deputados saibam pouco (ou nada) do que falam, mas desta vez é levar o foguetório ao insulto para quem trabalha a recibos verdes e, sobretudo, falsos recibos verdes. E porquê? O acordo alcançado somente negociado entre BE e PS - pergunto eu porque excluíram PCP e sindicatos, já sabendo a resposta - vai muito mais longe do que a direita alguma vez teve coragem.

O detalhe

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Figura essencial do Portugal democrático. Génio. Implacável. Exigente. Visão de futuro. Estratega. Império. Riqueza. Começou do nada. Marcante. Determinação. Trabalho. Empenhamento social. Gerador de milhares de empregos. Têm sido estas as palavras ouvidas e lidas durante todo o dia sobre Belmiro de Azevedo. Uma pessoa maravilhosa, um dos 1.200 mais ricos do mundo. Independentemente de tudo, dizem, conseguiu criar uma enorme empresa.